Cristãos no Egito que sofrem hostilidade e exclusão por causa da fé têm recorrido, com frequência crescente, a abrigos mantidos em sigilo, diante da falta de proteção efetiva por parte do Estado, segundo organizações cristãs de defesa de direitos.
Um dos casos recentes envolve Amira Butros, cristã egípcia que deixou sua casa após episódios de agressão atribuídos a um vizinho muçulmano, além de conflitos com familiares e refugiados sudaneses que participavam de encontros religiosos realizados por ela. Amira relata que foi acusada de tentar converter muçulmanos ao cristianismo e que, por esse motivo, autoridades locais se recusaram a registrar sua denúncia. Posteriormente, ela conseguiu abrigo com apoio da organização Help for the Persecuted, que mantém cerca de 20 casas seguras no Oriente Médio, Norte da África e Ásia Central.
Apesar de a Constituição egípcia prever liberdade religiosa, líderes cristãos e ativistas afirmam que casos de violência contra cristãos raramente avançam nas investigações, sobretudo quando envolvem pessoas que abandonaram o islamismo. Estima-se que o país tenha mais de 10 milhões de cristãos, representando ao menos 10% da população e formando a maior comunidade cristã da região do Oriente Médio e Norte da África.
O clima de tensão voltou a crescer em outubro, quando uma multidão atacou uma comunidade copta na província de Minya, forçando uma família cristã a abandonar sua vila após boatos envolvendo um relacionamento inter-religioso. Pouco antes, parlamentares dos Estados Unidos apresentaram uma resolução pedindo que o governo egípcio assegure igualdade de direitos aos cristãos coptas e responsabilize autores de crimes cometidos contra eles.
Organizações de direitos humanos também criticam o sistema nacional de identificação, que obriga cidadãos a declararem uma das três religiões oficialmente reconhecidas. Segundo essas entidades, a exigência facilita práticas discriminatórias e dificulta o acesso de minorias a empregos, educação e serviços públicos. Há pressão para que o governo elimine a identificação religiosa desses documentos.
Embora o presidente Abdel Fattah el-Sisi tenha adotado gestos simbólicos de aproximação — como participar de celebrações cristãs e autorizar a construção de igrejas —, iniciativas mais profundas enfrentam resistência de setores religiosos influentes.
Mesmo sob risco, cristãos egípcios seguem atuando de forma discreta. A partir de um local protegido no Cairo, Amira afirma que deseja continuar ajudando refugiados sudaneses, muitos deles também vítimas de perseguição.
“Criamos redes de apoio para quem sofreu por causa da fé. Continuar esse trabalho é essencial para mim”
afirma
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